Eis porque se sente comichão, e porque é que coçar é tão bom

Saber uma comichão é uma experiência intensa e frustrante – especialmente se o coçar só a torna pior.

Mas há certas perturbações que na realidade resultam em pessoas comichão incontrolável sem alívio. Num estudo de caso, uma mulher teve uma comichão tão grande que coçou até ao cérebro.

Então como é que estas perturbações se originam? Tudo volta ao porquê da comichão em primeiro lugar, como explica este vídeo de It’s Ok To Be Smart.

Incitação é uma sensação incrivelmente estranha que os cientistas ainda não compreendem totalmente.

A sensação de comichão é tecnicamente conhecida como prurido, e pensa-se que tenha evoluído como uma forma de proteger a pele – o nosso maior órgão – de parasitas e acumulação de células mortas.

Afinal, todos os nossos outros órgãos são escondidos em segurança dentro do nosso corpo, onde podem ser totalmente protegidos pelo sistema imunitário. Mas a nossa pele é a nossa primeira linha de defesa, constantemente em contacto com o mundo exterior, pelo que faz sentido que tenha evoluído algumas formas únicas de se manter intacta.

Também explica porque é que a comichão é contagiosa – nos tempos do paleolítico, quando vivíamos todos de perto, se visses um companheiro de tribos infestado a coçar-se a si próprio, faria sentido começar a coçar-se também, para evitar ser mordido ou infectado por aquilo que os incomodava.

Mas isso não explica porque é que uma comichão produz uma sensação tão única e enlouquecedora.

Como o vídeo explica, até há uma década atrás os cientistas pensavam que uma comichão era apenas mais um tipo de dor mais suave – usando os mesmos receptores na epiderme que retransmitem mensagens químicas e eléctricas pela espinha acima e para o cérebro para lhe dizer que algo lhe dói.

Mas agora sabemos que a comichão tem na realidade os seus próprios circuitos específicos, envolvendo os seus próprios químicos e células.

E embora todos tenhamos respostas diferentes à dor, partilhamos uma resposta universal à comichão.

Coçando.

O coçar sabe tão bem porque provoca um sinal de dor de baixo nível para disparar até ao cérebro e anular o sinal de coceira para nos proporcionar alívio. É por isso que beliscar ou esbofetear a zona de comichão também pode funcionar.

Felizmente, alguns desses produtos químicos de alívio, incluindo a serotonina, podem de facto facilitar o sinal de comichão a ser novamente accionado.

É por isso que é comum que o coçar faça mais comichão, dando início a um ciclo vicioso que os cientistas chamam de ciclo de coceira-risco.

Danos aos nervos envolvidos nesse ciclo podem resultar em comichão incontrolável, sem qualquer estímulo; quando isso acontece, estes são conjuntamente conhecidos como perturbações de prurido.

Existem muitas razões para que estas ocorram, e por vezes os investigadores nem sequer conhecem a causa. Algumas podem ser causadas por infecções virais que afectam o sistema nervoso, como a comichão pós-terpética, que pode ser desencadeada por herpes zóster.

Também existem condições como o prurido braquioradial, que é causado por um nervo restrito no pescoço. E o prurido aquagenico, que é comichão experimentada após contacto com a água. Alguns casos foram na realidade ligados a uma condição rara onde o corpo tem demasiados glóbulos vermelhos.

Todas estas perturbações podem deixar as pessoas com uma comichão frustrante, muitas vezes sem uma causa óbvia e potencialmente sem alívio, também.

Num estudo de caso extremo, uma mulher que tinha sofrido de herpes zóster tinha tal comichão no couro cabeludo que, no espaço de um ano, tinha “sem dor” arranhado directamente através do crânio e até ao cérebro.

Então, o que se pode fazer para aliviar a comichão? Vamos deixá-lo ver o vídeo acima para saber mais, mas a boa notícia é que existem vários tratamentos para tentar.

Plus, os cientistas ainda estão a aprender mais sobre a nossa curiosa e única resposta à comichão, por isso, no futuro, poderemos finalmente conseguir desligar de vez a comichão incontrolável.

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